24 de março de 2007

Atirador
(Shooter, 2007)


   Não é um bom sinal, assistir a um filme em um dia (integralmente, sem cochilar em nenhum momento), e no próximo dia simplesmente não lembrar o seu final. Isto foi exatamente o quê aconteceu comigo neste caso, e acho que por si só fala volumes sobre a qualidade do longa.
   A trama gira em torno da conspiração para acusar o ex-atirador de elite militar Bob Lee (Mark Wahlberg) de tentar assassinar o presidente – Lee embarca então em uma jornada “exército de um homem só”, para tentar limpar seu nome e se vingar do alto escalão que tentou acusá-lo. Os momentos iniciais da película conseguem lidar até bem com a premissa (embora alguns detalhes exijam um certo grau de cooperação da platéia para soarem críveis) e a ação é bem proporcionada. Mas os minutos vão passando, as explosões e corpos vão se amontoando, e depois de ver a qüinquagésima sexta cabeça sendo explodida na tela, o impacto se perde, assim como nosso interesse em geral.
   É mais ou menos neste ponto que o filme se transforma em um “Desejo de Matar” com pretensões políticas, Wahlberg é o justiceiro solitário limpando as ruas com seu rifle, embora apesar de este não ser o velho oeste, e do fato de não podermos limpar o lixo das ruas com armas, a mensagem passada pelo longa, explicitamente, é de que algumas vezes, isto é “exatamente o que precisamos”.
   Os outros componentes também não colaboram muito – a história surge forçada e cheia de buracos, os diálogos são rasos e em diversas ocasiões simplesmente risíveis, os personagens são caricaturas óbvias de vilões e mocinhos e os atores responsáveis por estes conferem a eles a profundidade correspondente, a começar por Wahlberg (cuja atuação aqui lhe dá um título de membro honorário do Clube Keanu Reeves de Performances Inexpressivas), e passando ainda por Danny Glover, que além de canastrão, confere ainda à fala de seu personagem um trejeito deveras irritante e despropositado.
   Mas, temos que levar em conta que o filme não foi um desperdício total, afinal, aposto que muitos vão concordar e se divertir com a mensagem justiceira da película, e bem, finalmente os caras da NRA tem algo para assistir em suas reuniões quando quiserem dar uma folga para os clássicos do Charles Bronson.

Um comentário:

Paula disse...

Ai, ler criticas de filmes me deixa deprimida.. não fui ao cinema aqui NENHUUUUMA vez :~(

O que me recomenda comprar de filme no piratex da vida???
(só quero os melhores, já que não estou podendo ir ao cinema)

Ainda bem que, pelo que eu vi, esse Atirador é um filme péeessimo, pelo menos nao fiquei taao deprimida... bjss