4 de março de 2007

Hairspray – E Éramos todos Jovens
(Hairspray, 1989)

   Até este dia, John Waters não se conforma por ter feito um filme de família. “Isso me deixa tão envergonhado – simplesmente achei que ser um filme meu com a presença de Divine já seria o suficiente para não nos deixarem em paz.”
   Mas aparentemente não foi. Conservando o estilo irreverente e os personagens excêntricos que lhe são tão característicos, mas introduzindo um aspecto doce e otimista raramente observado em seus trabalhos anteriores, Waters realizou no fim dos anos 80 “Hairspray – E Éramos Todos Jovens”, um inesperado filme família que se tornou seu maior sucesso, chegando até a gerar um aclamado musical da Broadway nos dias de hoje, e um remake a ser lançado provavelmente ainda este ano, com John Travolta no papel de Divine.
   Waters conseguiu realizar um trabalho extremamente difícil aqui – narrar uma história doce e ao mesmo tempo irônica, sem que esta se tornasse nem demasiadamente açucarada nem cínica. Uma história inspiradora sobre uma adolescente que acaba se tornando a improvável rainha da popularidade em um programa de danças vespertino, o “Corny Collins Show”, Hairspray é extremamente bem sucedido em criar uma atmosfera animada e surreal, introduzindo diversos elementos exagerados, dos cortes de cabelo absurdos às cores dos cenários, tornando este filme uma das mais divertidas farsas já filmadas. Através de músicas antigas obscuras e coreografias divertidíssimas, o estilo de Waters mantém-se inabalado na presença de uma quase benevolente Divine, como a dona de casa mãe da protagonista Tracy Turnblad (Ricki Lake em seus dias de gordinha); e mesmo quando está lidando com temas mais complexos, Waters ainda consegue manter o tratamento irreverente e irônico. Em resumo, um Waters familiar , mas nem por isso menos divertido.



Um comentário:

Bruno disse...

Parabéns pelo blog, lindinha! Que bom que vc retornou a escrever. Sobre o filme "Hairspray - E Éramos todos Jovens", acho que vou esperar o remake do John Travolta, hehe. É que não sou muito fã do John Waters.